Ciência com Consciência


A Relação Entre Açúcar, Triglicerídeos e Câncer



INTRODUÇÃO
Em Setembro de 2016 o jornal The New York Times fez uma matéria que mostrava que a Indústria do Açúcar escondeu documentos de uma pesquisa da década 60 que indicavam a relação do consumo de açúcar e o aumento do risco cardíaco (
clique aqui para ver a reportagem).

No final de 2017 um relatório pulicado no Jornal PLOS Biology (fator de impacto 9.163) expôs esses documentos.

Na literatura científica continua sendo debatido os diferentes efeitos da sacarose e do amido nos lipídeos sanguíneos.

Indústrias do açúcar negam consistentemente que a sacarose tenha algum efeito metabólico relacionado a doenças crônicas além de seus efeitos calóricos.

Pesquisas feitas com vários tipos de camundongos sugeriram que o açúcar dietético induz o aumento do crescimento tumoral e metástase quando comparado a uma dieta sem açúcar. Posteriormente a Associação do Açúcar criticou tais descobertas declarando nenhuma ligação credível entre açúcares ingeridos e câncer.

No entanto, este artigo pulbicado pela PLOS Biology fornece dados empíricos de que a Indústria do Açúcar encerrou o financiamento de um estudo com animais que demonstrava resultados associando dieta rica em açúcar com o câncer. E ela tem um histórico de não publicar estudos que apresentam resultados contrários a seus interesses.

FUNDAÇÃO DE PESQUISA DO AÇÚCAR (FPA) LANÇA PROJETO 259
Uma revisão do New England Journal of Medicine (NEJM) de 1967 relatou que ratos alimentados com amido tinham menor nível de colesterol sérico em comparação aos ratos alimentados com sacarose.

Após ser usado um antibiótico considerando dietas similares, o nível de colesterol sérico dos ratos que tinham uma dieta de amido aumentou, enquanto os ratos com a dieta de sacarose, se manteve, o que levou a revisão do NEJM relatar que há uma influência dietética sobre o intestino (microbiota).

O Vice-Presidente de Pesquisa da FPA pressupôs que os efeitos diferenciais da sacarose e do amido no colesterol sérico podem ser explicados pelas diferenças na síntese bacteriana de tiamina no intestino.

O Projeto foi lançado com o objetivo de tentar medir os efeitos nutricionais das bactérias no trato intestinal, comparando o consumo de sacarose e amido.

PROJETO 259 VINCULA CONSUMO DE SACAROSE AO CÂNCER
Ao decorrer do experimento observou-se que a urina dos ratos que eram alimentados com amido continha um inibidor da atividade da beta-glucuronidase em quantidade maior que os ratos que se alimentavam com sacarose.

A beta-glicuronidase é uma enzima que está relacionada positivamente com o câncer de bexiga.

Esse achado de forma acidental mostrou que o consumo da sacarose comparado ao do amido causa efeitos metabólicos diversos, sugerindo que a sacarose, ao estimular a beta-glucuronidase, pode ter um papel na patogênese do câncer de bexiga.

Projeto 259 liga a microbiota à hipertrigliceridemia induzida pela sacarose
O experimento trouxe como resultado uma queda acentuada no triglicerídeo sérico dos ratos livres de germes intestinais (flora bacteriana intestinal) alimentados com uma dieta rica em açúcar, entretanto os valores de colesterol sérico pareciam elevados.

O papel das bactérias na determinação dos níveis séricos de triglicerídeos será comprovado se os mesmos ratos de laboratório quando estiverem com a microbiota normalizada, apresentarem níveis elevados de triglicerídeos quando alimentados apenas com uma dieta rica em açúcar.

FPA INTERROMPE O FINANCIAMENTO DO PROJETO 259
A FPA apoiou o projeto durante 27 meses, mas cessou seu financiamento nas 12 semanas adicionais necessárias para conclusão do projeto. O laboratório ainda tinha a esperança de obter apoio financeiro de outras fontes, no entanto este estudo não identificou nenhum resultado publicado do projeto 259.

Um relatório da FPA de março de 1974 expôs sua interpretação interna dos resultados do Projeto 259: Mostrou um aumento do nível sérico de triglicerídeos em ratos com microbiota convencional em dietas com sacarose, enquanto nos ratos livres de germes um efeito decrescente foi observado, sendo assim, foi sugerido que os triglicerídeos foram formados a partir de ácidos graxos produzidos no intestino delgado pela fermentação da sacarose, comprovando a teoria de que o microbioma influencia diretamente na hipertrigliceridemia induzida pela sacarose em ratos.

IMPLICAÇÕES
De fato, os relatórios internos do FPA interpretaram que foram demonstradas diferenças biológicas entre os ratos alimentados com sacarose e amido, e um mecanismo em que a sacarose causou a formação de triglicerídeos.

Com base nos resultados preliminares do projeto, estender o financiamento poderia ser desfavorável para a indústria açucareira. Poderia ter confirmado o argumento de que o consumo de açúcar pode levar a hipertrigliceridemia. Além disso, a associação entre o consumo de sacarose e o câncer de bexiga poderia trazer também implicações para a indústria do açúcar.

Não está claro o porquê dos resultados do projeto 259 não terem sido publicados, uma possibilidade é que o laboratório não conseguiu um financiamento para terminar o projeto ou que o projeto foi concluído mas por algum motivo não foi publicado.

É plausível pensar que a FPA não continuou o financiamento do estudo por interesses da indústria açucareira, e sabia que o laboratório não encontraria outra fonte de financiamento.

PONTO DE VISTA 449
É fato que o consumo de açúcar deve ser moderado, afinal ele não agrega nenhum valor nutricional, contém apenas calorias, "calorias vazias". Os resultados iniciais dessa pesquisa mostram efeitos indesejáveis ao nosso organismo.

No entanto não temos dados que correlacione "quantidade e efeito". Qual quantidade de açúcar irá provocar esses efeitos num homem sedentário de 30 anos, com 1,80m e 75Kg? E numa mulher corredora de 45 anos, com 1,65m e 52Kg? Pesquisas científicas nos levam a pensar a respeito em cima dos resultados que apresentam, e devemos ter bom senso ao interpretar o resultados!

Não será uma a duas colheres de chá de açúcar no dia, um punhado jujubas ou alguns Donuts que farão com que esses resultados aconteçam.

O importante é o equílibrio, mantendo sempre uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios! Não será o consumo consciente e reduzido de açúcar que irá condená-lo a algum problema de saúde.

Artigo analisado pela estagiária Tássia Angelini (1º semestre/2018)

Sugar Industry Sponsorship of Germ-free Rodent Studies Linking Sucrose to Hyperlipidemia and Cancer: An Historical Analysis of Internal Documents - PLOS Biology, Novembro 2017









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